Samu é interditado em Caiçara por uso de produtos vencidos; funcionários denunciam precariedades

A base do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) do município de Caiçara, no Agreste paraibano, foi interditada pela Agência Estadual de Vigilância Sanitária (Agevisa) no último dia 5 de maio, após a constatação de medicamentos vencidos armazenados no local.

A informação consta em um ofício emitido pela própria Secretaria Municipal de Saúde, que reconhece o motivo da interdição. No entanto, a situação gerou reação entre os profissionais que atuam no SAMU, os quais repudiaram a tentativa da secretaria de transferir a responsabilidade exclusivamente para as equipes de atendimento.

Segundo relatos dos servidores, além do armazenamento irregular de medicamentos, há uma série de outras falhas estruturais e administrativas na unidade, que também teriam contribuído para a decisão da Agevisa. As denúncias envolvem desde problemas na infraestrutura física da base até a falta de condições adequadas de trabalho.

Em um ofício assinado pelo secretário de saúde do município, Adriano Coutinho, foi solicitada uma prestação de esclarecimentos por parte das equipes do SAMU sobre as causas que levaram à interdição.

A base segue interditada, e ainda não há previsão oficial para o restabelecimento dos serviços no local.

A versão dos profissionais do Samu

A enfermeira Rafaela, que trabalha SAMU em Caiçara, esclareceu que a equipe não tem culpa pela interdição feita pela AGEVISA.

Segundo ela, o serviço já estava em baixa desde o dia 29 de abril por causa da ambulância que estava com problemas mecânicos, e devido à ausência do veículo na base, os profissionais não faziam alguns check list para retirada de medicamentos vencidos. Segundo a enfermeira, o serviço não seria jamais fechado apenas por esses motivos.

“O serviço foi fechado por uma infraestrutura decadente, precária, que vem se arrastando entre anos e anos. A gente não tinha um ambiente compatível com o serviço, o serviço funcionava dentro de uma garagem, não tinha almoxarifado, não tem dique pra limpeza da ambulância, e por esse motivo a vigilância interditou”, disse a profissional.

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