Prefeito de Mari sob fogo cruzado: derrubada de árvores no centro da cidade gera indignação

A decisão do prefeito Antônio Gomes de derrubar dezenas de árvores no centro de Mari, com a justificativa de construir uma nova praça, tem gerado uma onda de críticas e indignação entre os moradores. O debate esquentou ainda mais após a divulgação de vídeos por parte do Gerente de Planejamento, Gestão e Projetos da Secretaria de Saúde, Alexandre Kennedy, do Gerente de Fiscalização Ambiental, Gean Geverton, e do próprio prefeito, defendendo a ação e desafiando opositores.

Alexandre Kennedy, em tom de deboche, desafiou o vereador Loi da Saúde a consumir um suco da planta Nim indiano, argumentando que a espécie é venenosa e prejudicial. Essa abordagem não só foi desrespeitosa, mas também desviou o foco do principal ponto de discussão: a falta de transparência e de estudos científicos que embasem a decisão de remoção das árvores.

Em outro vídeo, o gerente de fiscalização do município, Gean, afirmou que as árvores da espécie Nim são tóxicas e que a substituição por mudas de Ipê traria benefícios à biodiversidade local. No entanto, a justificativa de toxicidade parece frágil sem o respaldo de um estudo técnico específico e detalhado que comprove tais alegações. A troca abrupta e sem planejamento adequado pode, na verdade, desequilibrar o ecossistema local e prejudicar mais do que beneficiar.

As árvores em questão, presentes no local há muitos anos, foram plantadas por moradores e nunca antes consideradas uma ameaça pela Prefeitura ou seus órgãos de fiscalização ambiental. Não há registros de que tenham causado qualquer problema significativo. Além disso, até o momento, a gestão municipal não apresentou nenhum estudo técnico que recomendasse a derrubada total dessas árvores, o que levanta questões sobre a verdadeira motivação por trás da ação.

A Prefeitura, que agora clama pela toxicidade das árvores, deveria ser a primeira a zelar pelo cumprimento das normas ambientais. A omissão na fiscalização, que permitiu a plantação de tais árvores há anos, revela uma gestão desatenta e incoerente. Se as árvores realmente representassem um perigo, por que não foi tomada uma atitude preventiva antes, de maneira planejada e responsável?

Os vídeos divulgados pelos defensores da ação, incluindo o prefeito Antônio Gomes, não apenas debocham das preocupações legítimas dos cidadãos, mas também transformam uma questão ambiental séria em um jogo político. Ao mencionar que a oposição tenta barrar a “grande obra” por interesses eleitorais, o prefeito desvia a atenção do fato de que a preservação do meio ambiente é uma responsabilidade de todos, independente de filiação política.

A derrubada das árvores no centro de Mari, especialmente sem estudos técnicos adequados e com justificativas questionáveis, configura um péssimo exemplo de gestão ambiental. A promessa de substituição por mudas de Ipê não apaga o histórico de omissão e falta de planejamento adequado. É fundamental que o poder público seja transparente e responsável em suas ações, respeitando o meio ambiente e a história da cidade.

Um dos vídeos que circula entre os grupos de WhatsApp do Município e região demonstra a violência do poder público contra o meio ambiente sob a promessa de torna-lo melhor.

 

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