Obra para conter avanço do nível do mar em Baía da Traição é iniciada e avaliada em R$ 5 milhões

Foto: TV Cabo Branco.

Uma obra avaliada em R$ 5 milhões para conter o avanço do nível do mar na cidade de Baía da Traição, no Litoral Norte da Paraíba, foi iniciada. Um estudo do professor Celso Santos, da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) apontou que em apenas um trecho, nos últimos 40 anos, a cidade perdeu cerca de 80 metros de território.

De acordo com a Defesa Civil de Baía da Traição, a obra consiste na construção de um muro com intuito de conter o avanço das águas e já está em execução há cerca de duas semanas. Os dados da pesquisa apontam ainda que todo o litoral da cidade perdeu 12 metros, em média, entre 1984 e 2025, período em que vigora a pesquisa, com uma taxa de recuo de território de 0,29 metros a cada ano.

Com o avanço do mar, há o risco de comunidades indígenas tradicionais do município ficarem isoladas. Cerca de 33 aldeias, onde vivem 86% da população indígena de Baía da Traição.

“E ele (o avanço do mar) já levou casas da nossa família, de nossos amigos, e eu vendo uma parte da minha aldeia, da cultura, da minha história, acabar eu fico muito triste”, disse Philip Walla, indígena morador da Baía da Traição.

Baía da Traição decretou situação de emergência há mais de um ano por conta do avanço do mar, o Ministério Público Federal (MPF), Governo da Paraíba e Superintendência Desenvolvimento do Meio Ambiente da Paraíba (Sudema) já emitiram recomendações emergenciais para contornar a situação.

A Defesa Civil da cidade, no entanto, informou que além da construção do muro, outras ações são necessárias com intuito de solucionar o problema e não apenas algo paliativo.

“Recuperação de dunas, recuperação de vegetação de restinga, realimentação de praias, e restauração de manguezais e de recifes. Segunda coisa, obras de engenharia leve, como bigões permeáveis ou quebra-mares submersos”, explicou Wenison Medeiros, coordenador da Defesa Civil na cidade.

Destruição causada pelo avanço do mar em Baía da Traição

Foto: TV Cabo Branco.

Por conta desse avanço, foi registrado uma casa virada de ponta-cabeça, além de mais de 20 residências com o avanço do mar. A erosão costeira foi motivo para um decreto de situação de calamidade pública.

Um dos locais mais afetados pela erosão é a Praia do Forte, onde passa a rodovia PB-008, que conecta Baía da Traição às aldeias indígenas. O município tem cerca de 86,64% da população composta por indígenas, segundo o Censo 2022.

A pesquisa também apontou que mais quase 8 metros podem ser perdidos até 2050 sem nenhuma atitude tomada.

“Mantendo a taxa média observada na Baía da Traição, 0,29 m ao ano, projeta-se mais ou menos e 7 a 8 m de recuo adicional até 2050, tendo como base as imagens de 1984 a 2025”, disse Celso Santos.

Jornal da Paraíba

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