Entenda operação que afastou prefeito eleito de Cabedelo, Edvaldo Neto

A medida faz parte da Operação Cítrico, conduzida pela PF, Gaeco do Ministério Público e CGU.

O afastamento do prefeito de Cabedelo, Edvaldo Neto (Avante), determinado pela Justiça nesta terça-feira (14), apenas dois dias após ser eleito, faz parte de uma investigação mais ampla sobre corrupção e atuação de organizações criminosas dentro da gestão municipal.

A medida faz parte da Operação Cítrico, conduzida pela Polícia Federal, pelo Ministério Público da Paraíba (Gaeco) e pela Controladoria-Geral da União (CGU).

Segundo os órgãos de investigação, há indícios de:

  • fraude em licitações
  • desvio de recursos públicos
  • lavagem de dinheiro
  • uso da estrutura da Prefeitura por organização criminosa

 

O ponto mais grave é a suspeita de que empresas contratadas pela gestão teriam ligação com uma facção criminosa.

Como seria o esquema investigado

Segundo os órgãos responsáveis pela apuração, empresas contratadas pela gestão municipal teriam ligação com essa organização criminosa e estariam sendo utilizadas para movimentar recursos públicos de forma irregular.

A suspeita é de que esses contratos servissem para favorecer integrantes facção criminosa “Tropa do Amigão”, braço do “Comando Vermelho”, inclusive com a possível inserção de pessoas ligadas à facção dentro da própria estrutura administrativa.

O volume de recursos investigados chama a atenção: os contratos sob suspeita podem chegar a cerca de R$ 270 milhões, envolvendo empresários, agentes públicos e operadores ligados ao esquema.

Medidas cautelares e alvos da Operação

O afastamento de Edvaldo Neto foi determinado como medida cautelar, ou seja, não representa uma condenação. A decisão tem como objetivo:

  • evitar interferência nas investigações
  • impedir a continuidade de possíveis irregularidades
  • garantir a preservação de provas

 

Além do prefeito, outros alvos também foram atingidos por mandados de busca e apreensão. Na lista há parentes, auxiliares e ex-auxiliares da gestão.

Reposta de Edvaldo

Em nota, a defesa do prefeito afastado de Cabedelo disse que ele “jamais manteve qualquer vínculo ou relação com facção criminosa, sendo tal imputação absolutamente inverídica e incompatível com sua trajetória pública” . Disse também que ele tem tranquilidade quanto à apuração dos fatos, acreditando que “todas as circunstâncias serão devidamente esclarecidas”

A defesa disse ainda que, na segunda-feira (13), foi encaminhado ao Poder Legislativo Municipal projeto de lei de caráter “antifacção”, para proibir a contratação, pela Administração Pública, de pessoas que respondam a processos ou inquéritos relacionados ao tráfico de drogas e à organização criminosa. Evaldo tinha prometido esse projeto logo após o resultado da eleição.

Com Jornal da Paraíba

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