Nos bastidores da política de Marí, voltou a circular com força a informação de uma nova tentativa de abertura de CPI contra a prefeita Lucinha da Saúde (PSB). De acordo com fontes próximas ao cenário político local, um suposto articulador estaria se movimentando para convencer a maioria dos vereadores a apoiar a investigação, que teria como objetivo final a cassação do mandato da gestora.
O que chama atenção é que, mais uma vez, os motivos para tal movimentação parecem frágeis e com fortes indícios de motivação política. Segundo as informações, o argumento usado agora seria um possível superfaturamento na aquisição de mochilas escolares — um processo realizado via licitação e financiado com recursos do Fundeb. No entanto, nem o Ministério Público nem o Tribunal de Contas do Estado da Paraíba emitiram qualquer parecer ou alerta sobre o caso até o momento.
Além disso, essa não é a primeira tentativa de instaurar uma CPI contra a prefeita. Em março, com apenas três meses de gestão, Lucinha já havia enfrentado uma movimentação semelhante — que acabou desmobilizada após a repercussão negativa entre a população. Na ocasião, sequer se sabia o motivo da tentativa de investigação.
O que se comenta agora nos bastidores é que o vice-prefeito, Sapinho, teria sido procurado para apoiar o movimento, mas recusou. Vale lembrar que Sapinho é pai do vereador Diego, ou seja, atrair o apoio do vice seria também uma tentativa indireta de garantir o voto do seu filho em um possível processo de cassação. Mais grave ainda: um dos articuladores teria ameaçado incluir a cassação da chapa majoritária caso ele não aderisse. Uma postura que levanta sérias dúvidas sobre a real intenção do grupo envolvido — trata-se de apurar ilegalidades ou apenas tentar tomar o poder por meio de manobras políticas?
Outro ponto que precisa ser destacado é que, em maio, o ex-vereador Loí da Saúde chegou a anunciar publicamente que a bancada de oposição havia decidido apoiar a prefeita Lucinha. Em junho, Lucinha se reuniu com o chamado G6 (grupo dos seis vereadores), supostamente para consolidar o apoio. Mas apenas a vereadora Tânia do Professor Josa reafirmou estar com a gestão. Isso levanta uma suspeita: vereadores teriam mudado de posição por causa de acordos políticos não cumpridos? Se sim, a motivação da CPI se torna ainda mais questionável.
Se, como dizem, a conversa entre Lucinha e os parlamentares girou em torno de favores políticos em troca de apoio, é possível que qualquer CPI aberta para investigar a prefeita acabe expondo os próprios vereadores — transformando investigadores em investigados.
No fim das contas, a tentativa de criar uma CPI pode estar menos ligada ao compromisso com a verdade e mais relacionada a um teatro de vingança política, onde o objetivo não é apurar, mas punir politicamente.







